São Sebastião do Caí, Rio Grande do Sul, Brazil

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Que está sendo feito pelo Hunsrickisch - Hunsrück

Artigo publicado no jornal: JB Em Foco de Biguaçu SC, em 16 de Agosto de 2012

PAULO REMOR E ADELINO GARANTEM APOIO TOTAL À LEI QUE COOFICIALIZOU O HUNSRÜCK EM ANTÔNIO CARLOS

“Não podemos permitir que o Hunsrück seja mais uma língua a desaparecer”, afirma Remor





A língua constitui-se em importante componente da cultura imaterial dos diferentes povos. Pela importância que a língua, falada e escrita, tem na formação cultural de cada povo é de suma importância que os falantes das diferentes línguas tenham condições de preservá-Ias e desenvolvê-Ias. No mundo são faladas, aproximadamente, 6.800 línguas. Só no Brasil são faladas cerca de 210 línguas por cerca de um milhão de cidadãos brasileiros que não têm o português como língua materna, e que nem por isso são menos brasileiros. No entanto, no início do século XVI, havia cerca de 1.270 línguas faladas em nosso país. Isto significa que nestes últimos séculos foram extintas mais de 1000 línguas em território brasileiro. Uma perda irreparável, incalculável. “Não podemos deixar que o Hunsrück, trazido por nossos antepassados, também seja uma língua extinta!”, diz Paulo Remor.
Por isso é louvável o projeto do vereador Altamiro (PT), apresentado em 2010 e que foi transformado em lei em outubro do mesmo ano. Esta lei de autoria do vereador Altamiro determinou que o Hunsrück passe a ser a segunda língua oficial de Antônio Carlos. No entanto, tornar o Hunsrück língua cooficial não é o suficiente para preservar este patrimônio cultural. Por isso, em seu artigo 2º, a lei estabelece que “o status de língua cooficial estabelecido por esta lei, visa incentivar e apoiar o aprendizado e o uso da língua nas escolas da rede pública municipal”. E em seu artigo 3º, por sua vez, a lei estabelece ainda que o poder Executivo (prefeito) teria o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para regulamentar e elaborar leis complementares que porventura fossem necessárias.
“O que não foi feito até agora para avançar nesta lei que foi aprovada em 2010, eu e o Adelino faremos quando assumirmos a prefeitura”, afirma Paulo Remor.
Antônio Carlos é uma cidade de colonização, predominantemente, germânica. A língua falada pelos imigrantes germânicos que se estabeleceram em Antônio Carlos e região é o Hunsrück. Sabe-se das perdas que esta língua teve por ocasião do processo de Nacionalização implantado pelo presidente Vargas. Atualmente poucos jovens falam esta língua. Mesmo os mais velhos já perderam muito deste patrimônio de inefável valor. “Se nada for feito para recuperar, preservar e desenvolver o Hunsrück em nossa cidade corremos o risco de, em mais uma ou duas gerações, vermos o Hunsrück de Antônio Carlos ser mais uma língua a desaparecer. Não podemos permitir que isto aconteça”, diz Paulo Remor.
Para tanto, afirma Remor, “criaremos um grupo técnico que irá desenvolver os mecanismos necessários para que implementemos de fato a lei de autoria do vereador Altamiro, nosso amigo e aliado político: há a necessidade de criamos uma gramática, material didático e, é claro, também formarmos os professores que serão responsáveis por ensinar o Hunsrück para nossas crianças”.
Além disto, afirma ainda Remor, “uma medida que devemos adotar o mais rapidamente possível é a confecção das placas indicativas (de trânsito, de indicação de bairros, locais turísticos, etc.) bilíngues (português e hunsrück)”. Outro mecanismo interessante, avalia ainda Paulo Remor, “é buscar uma parceria com nossa querida Rádio Comunitária Poesis para implementarmos programas produzidos na língua hunsrück, inclusive com o apoio financeiro da Prefeitura”.
Segundo Paulo Remor, “a lei implantando o Hunsrück já existe desde 2010. Falta, portanto, vontade política para pôr esta lei em prática!”. E esta vontade política “nós temos, com certeza”, diz ele.
Evidentemente que o aprendizado do Hunsrück não impede o aprendizado do alemão moderno, ao contrário, é uma porta de entrada. “O objetivo de pormos em prática esta lei de autoria do vereador Altamiro é, primeiramente, resgatar e valorizar a língua de nossos avós. Mas, além disto, a implementação desta lei também nos permitirá fazer parcerias com a Alemanha, através de intercâmbios culturais, bem como incrementarmos o turismo em nossa cidade”, afirma também o candidato a vice-prefeito, Adelino Kretzer.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do Imigrante Alemão - 25 de Julho







Hait sen 188 ioa abgelóof tsait di easchte imigrante hia in sidbrasilien komm sen. Fon denna tsait bis hait is das land gut forran gang un es chpiecheld gónimi en óonung wi das wód an de easchte tsaite.
Di coloniste harre faschproch griid fom gowern wohnung, geschérr un plantse, un an de easchte tsaite en lêewuns hillf fa ónfenge. Awa, wi si hia hinn komm sen, do sen se ohne kéene schuts geblib, nohre mit sain limpcha, sain khenna un haputsêechlich saine mut fa schaffe. Das is  geblib. Un alls si sich clamirt herre, honn se sich an di órwed geb un das land foa geschaft.
Das is unsa geschicht, das sen unsa foakommen. 
Fon denna hon mea geérrebt de mut fa es unnfahoftes tuhn un di curóoj fa waita mache an de situatsionen wo es net meh schaint sollt mechlich sen.
Ene glickliche imigrante tóoh fa uns all!

Tradução:

Hoje se passaram 188 anos desde que os primeiros imigrantes vieram aqui para o sul do Brasil. Desde aquela época até os dias de hoje a região evoluiu muito e não espelha mais nada do que foi a impressão nos primeiros tempos.
Os colonos tiveram prometido pelo governo moradia, ferramentas e sementes, e no início, uma ajuda de custo. Mas, quando chegaram aqui, ficaram desamparados, somente com seus trapinhos, seus filhos e principalmente com sua motivação pelo trabalho. Isto ficou. E em vez de eles reclamarem, se meteram na labuta e deixaram a terra preparada.
Esta é nossa história, estes são nossos antepassados.
Deles herdamos a motivação para enfrentarmos o inesperado e a coragem de seguir em frente nas situações onde não parece mais ter solução.
Feliz dia do imigrante para nós todos!

sábado, 21 de julho de 2012

Mais um vídeo em Hunsrickisch, desta vez feito pelo Paul Beppler

Amigos e amigas leitores e apreciadores deste blog. Meu amigo Paul Beppler dos Estados Unidos, quando em visita aos seus parentes no RS, gravou este interessante depoimento com sua tia, onde ela fala das lidas diárias na roça e as canções que entoavam. 








domingo, 15 de julho de 2012

Fríerische Geschefta


Ouça esta história gravada aqui: Hea das graveadne chteck do hia:



        Fríerische Geschefta

Es wóore mohl di tsaite wo es in de colonii khéen gelt geb hot. Es wóod gans fríasch, wo di lait fon allem geplanst honn, un was si iwrich harre is gehandeldt geb in de wende. Tsucka un salts wóore tswói article wo weat harre wi gold. Di coloniste sinn fon wait komm sammstachs mittachs, fa di tswói article se gescheftle, wall ende woche, must doch ima kuuche gebackt gewe in dem grosse backoofe, un fa das, muste di frólait doch émfach de tsuckka honn.
Noch dann fa sonntachs de gute chwaine broode in de backoofe enn leie, wóod es nodwennich es salts, pfeffa, knuwwloch, moscóod nuss, tswiwwle, pedacilie, móiron un fett. Gewiss, fon dem gansem dings, hat de baua alles fa de gute sonntachs broode se mache, nohre was chlimm wóod bai bringe wóod es salts un de pfeffa.
Fillmohls harre di baure newa ihnes haus ene grosse hinkel chtall, fa hinkle tsiie un óia ende nohre fa in de wende se gescheftle um tsuckka, salts un pfeffa. Wenn dann de bodegero sain chtellche foll hinkle hat, dann wóod es etwas chlimmes, wall de baua hat dan gónics fa se gescheftle. Was mache?
Êtliche harre chon tuack geplanst fa bissie fumm wickle, dann wóod es óoch ene faine artickel fa se handle in de wende. Un fill mohls, hon annre baure de fumm ab gescheftelt um millie mehl oda sirrup. Awa ene echte baua, wall in denna tsaite es lewe so chpits wóod, konnt sich net de fottel gewe fa iede tóoh se rauche. Di baure honn fill chpeda óngefang se rauche. In denna chlimme tsaite, obwohl de baua saine aichne fumm produtsiad hot, konnt sich nohre de fottel gewe fa sonntachs rauche. Das wóore so ferháftnisse grohsse criole, so grohs, das de baua ene ganse tóoh drón rauche must fa ea se fabringe. Fa fill, wóod dan sonntachs de fumm tóoh.
In Pless Tóol is es dann alles gródso gelóof wi in de annre pletsa. Nohre dott, di unnaschitt wóo das de bodegero net léen di lait bedihnt hot. Es wóod bai ihnem in hellef sai fróo. En rantsich fróo. Bessa geschproch, en unnferhaftniss chlecht uffgeraumtne fróo. Fa se ónfenge, si hat fêttiche groue hoa, so dinn, dass si dôrrich sichtich wóore. Es sêlwiche konnt ma net fon sainem chnórres sóon. Si hat so en halleb tutsend dicke un ungeschickliche béschte unna de nóos, wo sain gesicht ebérmlich unnuntrauich geloss honn. Di kittle wo si benutst hot wóore ima fa se biichle. Un sain holts chlappe wóore so knáistlich, das noch net de hunt wollt sich owends dróon leie.
In dem selwiche Pless Tóol hot es dann di familie Hérlich geb, wo mechtich metódisch wóod. Fa de Hérlicha Frido di óia tsu de wende dróon, hot ima di Alma, sain fróo si gut enngepackt fa se net fabreche in de rées. Es wóod ima en benaidiches khérrebche: foll papia, un tswischen dann di gelwe óia fon saine hinkle.
So is dann de Frido tsu de wende gerrit ene gute sammstach mittach, fa di óia tsu de wende tróon um gescheftle um tsuckka un salts. Wi ea ann di wende komm is, pakte ea saine korreb foll óia ab un hot si in di wende getróon. Di Margeritt, em bodegero sain chlecht uffgerautmne fróo, nommo chlecht ufgerraumt wi ima, hot das tuch am korreb ufgehobt, di óia unnasuucht, do sóod si behs:
- Di óia wo's du hait gebrungt hosst Frido, sinn fill tsu kléen fa se gescheftle.
Ea antwort:
- Du duusell dia! Wenn ich se geleht wehre se sicha grehssa, un wenn du se geleht hesst, dann wehre se doch sicha saua!

TRADUÇÃO:

Negócios de Antigamente

Era uma vez o tempo em que não existia dinheiro na colônia. Isto foi bem antigamente, quando as pessoas plantavam de tudo e o que lhes sobrava era negociado no armazém. Açúcar e sal eram dois artigos que valiam ouro. Os colonos vinham de longe aos sábados à tarde para negociar estes dois artigos, porque no fim de semana tinham que assar uma cuca no enorme forno à lenha, e para tanto, as mulheres principalmente precisavam do açúcar.
Além disto para no Domingo deitar aquele gostoso assado de porco no forno era necessário o sal, pimenta, alho, noz moscada, cebolas, salsa, mangerona e banha. Claro, o colono dispunha de todos estes ingredientes para fazer o gostoso assado de Domingo, mas o difícil era sempre ter a mão o sal e a pimenta.
Muitas vezes os colonos tinham do lado de sua casa um grande galinheiro para criar galinhas e delas ter os ovos somente para trocar no armazém por açúcar, sal e pimenta. Quando então o bodegueiro tinha seu curralzinho cheio de galinhas, então ficava difícil porque para o colono não sobrava nada para negociar. O que fazer?
Alguns já haviam plantado fumo para fabricar um pouco de fumo em corda, então este era mais um fino artigo para negociar no armazém. E muitas vezes outros colonos negociavam este fumo em corda por farinha de milho ou melado. Mas um colono de verdade, por nestes tempos a vida andar muito bicuda, não podia se dar ao luxo de fumar todos os dias. Os colonos começavam a fumar bem mais tarde. Nestes tempos difíceis, mesmo o colono produzindo seu próprio fumo, só podia se dar ao luxo de fumar somente aos domingos. Isto eram gigantescos palheiros, tão grandes que o colono precisava um dia inteiro fumando naquele negócio para acabar com ele. Para muitos então, domingos era o dia do fumo.
Em Picada Cabeção tudo então corria como nas outras localidades. Só que lá o bodegueiro não atendia sozinho às pessoas. Consigo em sua ajuda, estava a sua mulher. Uma mulher ranzinza. Melhor dito, uma mulher incrivelmente mal humorada. Para começar, ela tinha um cabelo seboso tão fino, que era transparente. O mesmo não se podia dizer de seu bigode. Ela tinha uma meia dúzia de pelos grossos e desajeitados sob o nariz, os quais deixaram seu rosto bastante desconfiável. Os vestidos que ela usava sempre estavam por ser passados a ferro. E seus tamancos eram tão chulezentos, que nem o cachorro se deitava perto de noite.
Nesta  mesma Picada Cabeção existia a família Hérlich, a qual era muito metódica. Para o Frido Hérlich levar os ovos até o armazém, sempre a Alma, sua esposa, os empacotava bem para não quebrá-los na viagem. Sempre era um balainho invejável: cheio de papel e no meio dele os ovos amarelos de suas galinhas.
Então um dia o Frido cavalgou até o armazém num sábado à tarde para trocar seus ovos por açúcar e sal. Quando ele chegou no armazém, descarregou seu balaio cheio de ovos e os levou para dentro. Margerita, a esposa mal-humorada do bodegueiro, novamente de mal com a vida como sempre, levantou o pano do balaio, analisou os ovos, então ela disse braba:
- Os ovos que você trouxe hoje Frido, são muito pequenos para comercializar!
Ele respondeu:
- Sua megera! Se eu os tivesse posto com certeza seriam maiores, mas se você os tivesse posto, então com certeza estariam azedos. 




quinta-feira, 12 de julho de 2012

Correspondência - Post Gescheft

Olá Leitores do meu blog.


É por um email destes que recebi ontem do frequentador deste blog, Jorge Oliveira, que me sinto impulsionado a continuar alimentando e trazendo o mundo Hunsrickisch para este blog.


Ola, Estimado Pio Rambo, graças a DEUS teu trabalho está sendo enaltecido e reconhecido, tens absoluta razão em lutar para preservar essa Lingua pela qual estou me apaixonando, hoje infelizmente estou tendo que ajustar minha agenda, para continuar aprendendo com teu blog, mas escrevo estas humildes linhas para pedir-te que NÂO pares, continua sempre firme e altaneiro como é este grande estado do Rio Grande, ao qual tenho profundo respeito e admiração, LEMBRA-TE que quem não tem passado não pode contemplar o futuro, pois não sabe de onde veio!


Grande Abraço