São Sebastião do Caí, Rio Grande do Sul, Brazil

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Die Wacht an dem Miljestick




Poema em alemão Hunsrickisch da autoria do gaúcho Alfredo Gross. 
A tradução em letra maiúscula segue abaixo de cada linha em hunsrickisch.



DIE WACHT IM MILJESTICK (*)
A VIGÍLIA NO MILHARAL


Von Alfredo Gross.
(tradução: Pio Rambo)


Im unsrem scheene Land Brasilje,
EM NOSSA BELA TERRA BRASIL
gebbts en Tie, das heisst Zorrilje (*)
EXISTE UM BICHO CHAMADO GAMBÁ
dem sei Gestank, lässt jede krank,
CUJO SEU FEDOR, DEIXA TODOS DOENTE,
fa´s liewe lange Leewe lang
POR TODA A VIDA.

Will Eich vezeehle die Geschicht,
QUERO LHES CONTAR A HISTÓRIA
die unsre Guri * honn aangericht,
QUE NOSSOS GURIS APRONTARAM
mit soo en stinkiche Zorrilje
COM UM GAMBÁ FEDORENTO
vun d´Huun gejachd, in unsre Milje
CAÇADO PELOS CÃES NO NOSSO MILHARAL.

Doletscht sollte die zwei Gurie,
TEMPOS ATRÁS DEVERIAM OS DOIS GURIS
gud uffpasse das unsre Küh,
CUIDAR MUITO BEM PARA QUE NOSSAS VACAS
net in die Milje däde geehn,
NÃO FOSSEM NOS PÉS DE MILHO
weils Miljestick * wa iwwescheen!
PORQUE O MILHARAL ESTAVA MAGNÍFICO! 

Doch, newem Miljestick an Weech,
MAS, DO LADO DO MILHARAL, NA ESTRADA
iwwich de Stóós, ganz krumm unn schreech;
SOBRE A MACEGA, BEM ENCURVADO E TORTO
datt stand en Baum, voll mit Goiawe*
TINHA UMA ÁRVORE CHEIA DE GOIABAS
draan wollte die Guri sich laabe
NELA (E) OS GURIS QUERIAM SE FARTAR.

Aach dachde sie sich noch dezu;
TAMBÉM ELES PENSARAM PRA SI:
Vun owe siehn mer jede Kuh,
LÁ DE CIMA VEMOS CADA VACA
die in das Miljestick will geehn;
QUE QUISER PENETRAR NO MILHARAL;
en gude Plaan; dä macht sich scheen!
BOM PLANO; FICA LEGAL!

Doch was de Mensch sich scheen bedacht,
MAS O QUE A PESSOA BEM IMAGINOU
vum Deivel, frech, wädd ausgelacht;
DO DIABO, MALANDRO, FOI DEBOCHADO;
dä dud dem Mensch en Schippche schlaache,
ELE APRONTA UMA PARA A PESSOA
unn dud sich eins ins Feistche lachche!
E SE RI ÀS LÁGRIMAS DISTO!

Kaum, ware die Guri hoch droowe,
MAL OS GURIS ESTAVAM LÁ EM CIMA
unne, die Hunn dun schaudrich toobe.
EMBAIXO, OS CÃES ESTÃO TROTEANDO DESVAIRADOS.
Die honn geraast, gepläfft, gebellt,
ELES BRIGARAM, ATACARAM, LATIRAM,
als wä do jetzt, dä Unnegang dä Welt!
COMO SE FOSSE AGORA O FIM DO MUNDO!

Die Biibche schnell vum Baum sinn runne,
OS MOLEQUES DESCERAM LIGEIRO DA ÁRVORE
- sie dachte net: Die Welt geht unne!
- ELES PENSARAM LIGEIRO: O MUNDO ESTÁ ACABANDO!
Sie wollte n-u-a, vun dicht betrachte,
ELES SÓ QUERIAM VER DE PERTO
was ihre Hunn d-o-o däde jachde...
O QUE SEUS CÃES ESTAVAM CAÇANDO...

Inzwische honn die beese Hunn,
NESTE MEIO OS CÃES BRABOS
sich selwe, frech, erlaubt die Gunn:
SE DERAM A SI O DIREITO
En armes Tieche abb ze strecke,
DE ESTRAÇALHAR UM POBRE BICHINHO
das nidde laach, grad am verrecke
QUE DEITADO, NO MOMENTO MORRENDO.

Die Hunn, debei, nix beeses dachde;
OS GALOS, JUNTOS, NADA BRABO PENSARAM;
sie dachde n-u-a: Mie misse jachde;
ELES SOMENTE PENSARAM: NÓS TEMOS QUE CAÇAR;
m-i-e-m-i-i-sse unse Pflicht jetzt duun,
TEMOS AGORA QUE NOS APLICAR
sonst sinn mer jo kei gude Hunn!
SENÃO NÃO SOMOS ASSIM BONS GALOS!

Das Tie, - schun als es brav gerung -
O BICHO, - PORQUE MOSTROU BRAVURA - 
hat iwwemeessich stark gestunk.
ESTAVA ACIMA DO LIMITE FENDENDO FORTE.
Die Biibche petzte zu die Naas,
OS MOLEQUES FECHARAM O NARIZ,
unn nemmes Tieche hemm, zum Spass...
E LEVARAM O BICHINHO PRA CASA, POR BRINCADEIRA...

Sie rufe: Guggt! Mea honn gebracht
ELES CHAMARAM: VEJAM! TROUXEMOS
en Tie, vun unnsre Hunn gejacht!
UM BICH CAÇADO PELO NOSSO GALO!
Die Mute, voa dem Haus handiet,
A MÃE DEFRONTE À CASA LIDANDO,
sie heert unn riecht wass do passiet.
OUVIU E CHEIROU O QUE ESTAVA ACONTECENDO.

Sie ruft entsetzt: " Zerrick! Zerrick!
ELA GRITOU PRONTAMENTE: "PRÁ TRÁS! PRÁ TRÁS!
Bleibt wech vum Haus unn Miljiestick!
FIQUEM LONGE DA CASA E DO MILHARAL!
Begrabt das Tie, tief innem Wald
ENTERREM ESTE BICHO FUNDO DENTRO DO MATO
sonst komme Urubu (*), schun bald!
SENÃO DAQUI A POUCO VÊM OS URUBUS!

Unn baad eich unn die Hunn, im Bach,
E BANHEM-SE VOCÊS E OS CACHORROS NO ARROIO,
sonst gried ie mit dem Papa Krach!
SENÃO VAI TER ROLO COM O PAI!
Dud eie Zeich am Waschplatz losse;
DEIXEM A ROUPA NO TANQYE
heit gebbts, mie scheints, was uff die Hosse!..."
HOJE FICOU ALGO MARCADO SOBRE AS CALÇAS!...

Zur selwe Zeit, zur selw Stunn,
AO MESMO TEMPO, NA MESMA HORA,
als sich die Biibche, mit de Hunn,
ENQUANTO OS PIÁS COM O CACHORRO
in de Bach, duun grindlich baade,
NO ARROIO SE BANHAVAM INTENSAMENTE,
gebbts in de Milje, en grousse Schaade!
NOS MILHOS ACONTECEU UM GRANDE ESTRAGO!

Datt, ungehinnet, ohn Müh,
LÁ, SEM BARREIRAS, SEM DIFICULDADES,
sinn inngezooh, hungriche Küh.
PENETRARAM VACAS FAMINTAS.
Die hatte scharf das Maul gewetzt,
ELAS ESTAVAM COM A BOCA AFIADA,
unn honn das Miljestick zeffetzt!
E COMERAM O MILHARAL!

Die Mutte wascht das Zeich, dud´s bleiche,
A MÃE LAVA A ROUPA, A GUARA,
dä iible Duft, dä will net weiche;
QUE SOBRE O SERENO NÃO QUER AMACIAR;
so viel se wasche dud, unn liffte,
QUANTO MAIS LAVAR E LIBERAR,
dä iible Dufft will net vediffte!
NÃO IRÁ AMACIAR MAIS NO SERENO!

Dä iss inns Naasloch ingedrung,
ISTO FOI PENETRANTE  COMO CHEIRADO
vun dat aan runne, in die Lung;
DALI ATÉ O PULMÃO;
dann imme weite runne, noch,
ENTÃO ABAIXO CADA VEZ MAIS AINDA,
bis ä iss hinne rrausgekrrochch,
ATÉ O QUE LÁ ATRÁS, FOI CHEIRADO PRA FORA,
doo hat´s v-i-e-l schlimme noch gerrochch!
ALI FEDEU AIND MAIS!

Doch schlimmste noch, vum schlimme iss:
MAS AINDA O PIOR DO PIOR É:
Sinn Männe komm, vun dä Green Peace
VIERAM HOMENS DO GREEN PEACE
Die wollte uuns ganz dick muld-i-e-re*
NOS QUERIAM MULTAR TREMENDAMENTE
m-i-e dääde die U-m-m-welt po-lu-i-i-re*;
POR ESTARMOS POLUINDO A MATA VIRGEM;
(Die denke vleicht Milje pflanze, wäre Miljenäre - graad´s Geecheteil!)
(ELES PENSAM TALVEZ QUE PLANTAR FARIA MILIONÁRIOS - MESMO O CONTRÁRIO!)


Mea honn deene´n Bannann gemacht*!
FIZEMOS (GESTO DE) BANANA PRA ELES!
Se ganz ge-he-e-rich aus-ge-lacht!
OS DEBOCHAMOS INTENSAMENTE!
Mit Hunn unn Rrr-e-lje* fodd ge-j-a-chd!
COM CACHORROS E RELHOS OS EXPULSAMOS!


Jetzt honn se uns bees pro-ze-s-i-e-t;
AGORA, DE RAIVA ELES NOS PROCESSARAM;
in Holland, voa´s Gericht zi-ti-et!
NA HOLANDA, NOS DENUNCIARAM Á PROTEÇÃO!  
Honn g-e-e-che UNNS erhoob en Klaach,
CONTRA NÓS PROTOCOLARAM UMA RECLAMAÇÃO,
bei´m Weltgerichtshoof, - in den Haag:
JUNTO À PROTEÇÃO AMBIENTAL, - NESTA CITAÇÃO:


" M-i-e hätte unns ann´m Tie vegriff,
"NÓS TERÍAMOS NOS SEGURADO NUM ANIMAL,
das weltweit wää, grad im begriff,
QUE ERA MUNDIAL, NO EXATO MOMENTO,
total unn vellich, aus-ze-sterwe;
(QUANDO ELE) TOTAL E MURCHO, MORRIBUNDO.
unn das doch wää: Dä Menscheit Ärwe!
E ISTO ENTÃO SERIA: APORRINHAÇÃO HUMANA!
( ich danke fa die Erbschaft: Mie honn schuun unnse Teil)
(EU PENSEI PARA OS HERDEIROS: NÓS JÁ TEMOS NOSSA PARTE)
M-i-e wäre ge-mei-ne Miljebuddze;
NÓS ÉRAMOS JUNTOS DESGRANADORES DE MILHO;
unn g-a-n-z ver-ruch-de Weltveschmudze!...
E COMPLETAMENTE POLUIDORES DEGRADANDO O PLANETA!...
Mol s-o-owas!...Wi-e-soo v-e-r-r-u-ch-de?
AINDA ESSA!... COMO ASSIM POLUIDORES?
Dä iible Dufft, dud heit noch duffte!...
QUE FEDE À AGONIA, FEDENDO AINDA HOJE!...


Die dun jo selbst sich widdespreche;
ELES POR SI SÓ SE CONTRADIZEM;
das dud die Aanklaach niddebreche!
ISTO DESFAZ A RECLAMAÇÃO!
Dass do die Green Peace dick dud liiche,
QUE O GREEN PEACE MENTE ENORMEMENTE
das kamme doch aan uns guud riiche!
ISTO SE PODE FAREJAR FACILMENTE!
(Guud riiche net...Will sann iibel, iibel riiche...)
(CHEIRAR BEM NÃO...QUERO DIZER AGONIA, CHEIRANDO À AGONIA...)


Kamme mol siihn wie die frech Liije;
DÁ PARA VER COMO ELES MENTEM DESCARADAMENTE;
do dun mea se am Wott draan krije!
ENTÃO VAMOS ACRESCENTAR UMA PALAVRA!
Weil die so Liije wie gedruckt,
PORQUE ELES MENTEM COMO NA IMPRENSA,
do wädd vun uns grobb uffgemuckt!
DE NÓS PARTIRÁ DAS ENTRANHAS!


Mie dun die Liijerei beweise,
NÓS MOSTRAREMOS ESTA MENTIRADA,
das wädd die Aanklaach niddereisse!
E DERROTAREMOS ESTA RECLAMAÇÃO!
Dann wädd die ONU *, in dä Sache
ENTÃO A ONU, NESTA QUESTÃO
mol ganz gewiss! Justiss uns mache!
COM CERTEZA! NOS FARÁ JUSTIÇA!




* Miljestick= Maispflanzung
MILHARAL
* Zorrilho= Stinkichste Tier Brasiliens.
GAMBÁ
* Goiaba= EssbareFrucht
GOIABA
* Urubu= Aasgeier.
URUBU
* Multieren= Geldstrafe auflegen.
MULTAR
* Eine Banane machen= Fäuste Kreutzen.
FAZER BANANA (GESTO ONDE ENFIA O POLEGAR ENTRE O INDICADOR E O FURA-BOLO)
* Relje= Peitsche.
RELHO
* ONU= Vereinigte Nationen.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Que está sendo feito pelo Hunsrickisch - Hunsrück

Artigo publicado no jornal: JB Em Foco de Biguaçu SC, em 16 de Agosto de 2012

PAULO REMOR E ADELINO GARANTEM APOIO TOTAL À LEI QUE COOFICIALIZOU O HUNSRÜCK EM ANTÔNIO CARLOS

“Não podemos permitir que o Hunsrück seja mais uma língua a desaparecer”, afirma Remor





A língua constitui-se em importante componente da cultura imaterial dos diferentes povos. Pela importância que a língua, falada e escrita, tem na formação cultural de cada povo é de suma importância que os falantes das diferentes línguas tenham condições de preservá-Ias e desenvolvê-Ias. No mundo são faladas, aproximadamente, 6.800 línguas. Só no Brasil são faladas cerca de 210 línguas por cerca de um milhão de cidadãos brasileiros que não têm o português como língua materna, e que nem por isso são menos brasileiros. No entanto, no início do século XVI, havia cerca de 1.270 línguas faladas em nosso país. Isto significa que nestes últimos séculos foram extintas mais de 1000 línguas em território brasileiro. Uma perda irreparável, incalculável. “Não podemos deixar que o Hunsrück, trazido por nossos antepassados, também seja uma língua extinta!”, diz Paulo Remor.
Por isso é louvável o projeto do vereador Altamiro (PT), apresentado em 2010 e que foi transformado em lei em outubro do mesmo ano. Esta lei de autoria do vereador Altamiro determinou que o Hunsrück passe a ser a segunda língua oficial de Antônio Carlos. No entanto, tornar o Hunsrück língua cooficial não é o suficiente para preservar este patrimônio cultural. Por isso, em seu artigo 2º, a lei estabelece que “o status de língua cooficial estabelecido por esta lei, visa incentivar e apoiar o aprendizado e o uso da língua nas escolas da rede pública municipal”. E em seu artigo 3º, por sua vez, a lei estabelece ainda que o poder Executivo (prefeito) teria o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para regulamentar e elaborar leis complementares que porventura fossem necessárias.
“O que não foi feito até agora para avançar nesta lei que foi aprovada em 2010, eu e o Adelino faremos quando assumirmos a prefeitura”, afirma Paulo Remor.
Antônio Carlos é uma cidade de colonização, predominantemente, germânica. A língua falada pelos imigrantes germânicos que se estabeleceram em Antônio Carlos e região é o Hunsrück. Sabe-se das perdas que esta língua teve por ocasião do processo de Nacionalização implantado pelo presidente Vargas. Atualmente poucos jovens falam esta língua. Mesmo os mais velhos já perderam muito deste patrimônio de inefável valor. “Se nada for feito para recuperar, preservar e desenvolver o Hunsrück em nossa cidade corremos o risco de, em mais uma ou duas gerações, vermos o Hunsrück de Antônio Carlos ser mais uma língua a desaparecer. Não podemos permitir que isto aconteça”, diz Paulo Remor.
Para tanto, afirma Remor, “criaremos um grupo técnico que irá desenvolver os mecanismos necessários para que implementemos de fato a lei de autoria do vereador Altamiro, nosso amigo e aliado político: há a necessidade de criamos uma gramática, material didático e, é claro, também formarmos os professores que serão responsáveis por ensinar o Hunsrück para nossas crianças”.
Além disto, afirma ainda Remor, “uma medida que devemos adotar o mais rapidamente possível é a confecção das placas indicativas (de trânsito, de indicação de bairros, locais turísticos, etc.) bilíngues (português e hunsrück)”. Outro mecanismo interessante, avalia ainda Paulo Remor, “é buscar uma parceria com nossa querida Rádio Comunitária Poesis para implementarmos programas produzidos na língua hunsrück, inclusive com o apoio financeiro da Prefeitura”.
Segundo Paulo Remor, “a lei implantando o Hunsrück já existe desde 2010. Falta, portanto, vontade política para pôr esta lei em prática!”. E esta vontade política “nós temos, com certeza”, diz ele.
Evidentemente que o aprendizado do Hunsrück não impede o aprendizado do alemão moderno, ao contrário, é uma porta de entrada. “O objetivo de pormos em prática esta lei de autoria do vereador Altamiro é, primeiramente, resgatar e valorizar a língua de nossos avós. Mas, além disto, a implementação desta lei também nos permitirá fazer parcerias com a Alemanha, através de intercâmbios culturais, bem como incrementarmos o turismo em nossa cidade”, afirma também o candidato a vice-prefeito, Adelino Kretzer.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do Imigrante Alemão - 25 de Julho







Hait sen 188 ioa abgelóof tsait di easchte imigrante hia in sidbrasilien komm sen. Fon denna tsait bis hait is das land gut forran gang un es chpiecheld gónimi en óonung wi das wód an de easchte tsaite.
Di coloniste harre faschproch griid fom gowern wohnung, geschérr un plantse, un an de easchte tsaite en lêewuns hillf fa ónfenge. Awa, wi si hia hinn komm sen, do sen se ohne kéene schuts geblib, nohre mit sain limpcha, sain khenna un haputsêechlich saine mut fa schaffe. Das is  geblib. Un alls si sich clamirt herre, honn se sich an di órwed geb un das land foa geschaft.
Das is unsa geschicht, das sen unsa foakommen. 
Fon denna hon mea geérrebt de mut fa es unnfahoftes tuhn un di curóoj fa waita mache an de situatsionen wo es net meh schaint sollt mechlich sen.
Ene glickliche imigrante tóoh fa uns all!

Tradução:

Hoje se passaram 188 anos desde que os primeiros imigrantes vieram aqui para o sul do Brasil. Desde aquela época até os dias de hoje a região evoluiu muito e não espelha mais nada do que foi a impressão nos primeiros tempos.
Os colonos tiveram prometido pelo governo moradia, ferramentas e sementes, e no início, uma ajuda de custo. Mas, quando chegaram aqui, ficaram desamparados, somente com seus trapinhos, seus filhos e principalmente com sua motivação pelo trabalho. Isto ficou. E em vez de eles reclamarem, se meteram na labuta e deixaram a terra preparada.
Esta é nossa história, estes são nossos antepassados.
Deles herdamos a motivação para enfrentarmos o inesperado e a coragem de seguir em frente nas situações onde não parece mais ter solução.
Feliz dia do imigrante para nós todos!

sábado, 21 de julho de 2012

Mais um vídeo em Hunsrickisch, desta vez feito pelo Paul Beppler

Amigos e amigas leitores e apreciadores deste blog. Meu amigo Paul Beppler dos Estados Unidos, quando em visita aos seus parentes no RS, gravou este interessante depoimento com sua tia, onde ela fala das lidas diárias na roça e as canções que entoavam. 








domingo, 15 de julho de 2012

Fríerische Geschefta


Ouça esta história gravada aqui: Hea das graveadne chteck do hia:



        Fríerische Geschefta

Es wóore mohl di tsaite wo es in de colonii khéen gelt geb hot. Es wóod gans fríasch, wo di lait fon allem geplanst honn, un was si iwrich harre is gehandeldt geb in de wende. Tsucka un salts wóore tswói article wo weat harre wi gold. Di coloniste sinn fon wait komm sammstachs mittachs, fa di tswói article se gescheftle, wall ende woche, must doch ima kuuche gebackt gewe in dem grosse backoofe, un fa das, muste di frólait doch émfach de tsuckka honn.
Noch dann fa sonntachs de gute chwaine broode in de backoofe enn leie, wóod es nodwennich es salts, pfeffa, knuwwloch, moscóod nuss, tswiwwle, pedacilie, móiron un fett. Gewiss, fon dem gansem dings, hat de baua alles fa de gute sonntachs broode se mache, nohre was chlimm wóod bai bringe wóod es salts un de pfeffa.
Fillmohls harre di baure newa ihnes haus ene grosse hinkel chtall, fa hinkle tsiie un óia ende nohre fa in de wende se gescheftle um tsuckka, salts un pfeffa. Wenn dann de bodegero sain chtellche foll hinkle hat, dann wóod es etwas chlimmes, wall de baua hat dan gónics fa se gescheftle. Was mache?
Êtliche harre chon tuack geplanst fa bissie fumm wickle, dann wóod es óoch ene faine artickel fa se handle in de wende. Un fill mohls, hon annre baure de fumm ab gescheftelt um millie mehl oda sirrup. Awa ene echte baua, wall in denna tsaite es lewe so chpits wóod, konnt sich net de fottel gewe fa iede tóoh se rauche. Di baure honn fill chpeda óngefang se rauche. In denna chlimme tsaite, obwohl de baua saine aichne fumm produtsiad hot, konnt sich nohre de fottel gewe fa sonntachs rauche. Das wóore so ferháftnisse grohsse criole, so grohs, das de baua ene ganse tóoh drón rauche must fa ea se fabringe. Fa fill, wóod dan sonntachs de fumm tóoh.
In Pless Tóol is es dann alles gródso gelóof wi in de annre pletsa. Nohre dott, di unnaschitt wóo das de bodegero net léen di lait bedihnt hot. Es wóod bai ihnem in hellef sai fróo. En rantsich fróo. Bessa geschproch, en unnferhaftniss chlecht uffgeraumtne fróo. Fa se ónfenge, si hat fêttiche groue hoa, so dinn, dass si dôrrich sichtich wóore. Es sêlwiche konnt ma net fon sainem chnórres sóon. Si hat so en halleb tutsend dicke un ungeschickliche béschte unna de nóos, wo sain gesicht ebérmlich unnuntrauich geloss honn. Di kittle wo si benutst hot wóore ima fa se biichle. Un sain holts chlappe wóore so knáistlich, das noch net de hunt wollt sich owends dróon leie.
In dem selwiche Pless Tóol hot es dann di familie Hérlich geb, wo mechtich metódisch wóod. Fa de Hérlicha Frido di óia tsu de wende dróon, hot ima di Alma, sain fróo si gut enngepackt fa se net fabreche in de rées. Es wóod ima en benaidiches khérrebche: foll papia, un tswischen dann di gelwe óia fon saine hinkle.
So is dann de Frido tsu de wende gerrit ene gute sammstach mittach, fa di óia tsu de wende tróon um gescheftle um tsuckka un salts. Wi ea ann di wende komm is, pakte ea saine korreb foll óia ab un hot si in di wende getróon. Di Margeritt, em bodegero sain chlecht uffgerautmne fróo, nommo chlecht ufgerraumt wi ima, hot das tuch am korreb ufgehobt, di óia unnasuucht, do sóod si behs:
- Di óia wo's du hait gebrungt hosst Frido, sinn fill tsu kléen fa se gescheftle.
Ea antwort:
- Du duusell dia! Wenn ich se geleht wehre se sicha grehssa, un wenn du se geleht hesst, dann wehre se doch sicha saua!

TRADUÇÃO:

Negócios de Antigamente

Era uma vez o tempo em que não existia dinheiro na colônia. Isto foi bem antigamente, quando as pessoas plantavam de tudo e o que lhes sobrava era negociado no armazém. Açúcar e sal eram dois artigos que valiam ouro. Os colonos vinham de longe aos sábados à tarde para negociar estes dois artigos, porque no fim de semana tinham que assar uma cuca no enorme forno à lenha, e para tanto, as mulheres principalmente precisavam do açúcar.
Além disto para no Domingo deitar aquele gostoso assado de porco no forno era necessário o sal, pimenta, alho, noz moscada, cebolas, salsa, mangerona e banha. Claro, o colono dispunha de todos estes ingredientes para fazer o gostoso assado de Domingo, mas o difícil era sempre ter a mão o sal e a pimenta.
Muitas vezes os colonos tinham do lado de sua casa um grande galinheiro para criar galinhas e delas ter os ovos somente para trocar no armazém por açúcar, sal e pimenta. Quando então o bodegueiro tinha seu curralzinho cheio de galinhas, então ficava difícil porque para o colono não sobrava nada para negociar. O que fazer?
Alguns já haviam plantado fumo para fabricar um pouco de fumo em corda, então este era mais um fino artigo para negociar no armazém. E muitas vezes outros colonos negociavam este fumo em corda por farinha de milho ou melado. Mas um colono de verdade, por nestes tempos a vida andar muito bicuda, não podia se dar ao luxo de fumar todos os dias. Os colonos começavam a fumar bem mais tarde. Nestes tempos difíceis, mesmo o colono produzindo seu próprio fumo, só podia se dar ao luxo de fumar somente aos domingos. Isto eram gigantescos palheiros, tão grandes que o colono precisava um dia inteiro fumando naquele negócio para acabar com ele. Para muitos então, domingos era o dia do fumo.
Em Picada Cabeção tudo então corria como nas outras localidades. Só que lá o bodegueiro não atendia sozinho às pessoas. Consigo em sua ajuda, estava a sua mulher. Uma mulher ranzinza. Melhor dito, uma mulher incrivelmente mal humorada. Para começar, ela tinha um cabelo seboso tão fino, que era transparente. O mesmo não se podia dizer de seu bigode. Ela tinha uma meia dúzia de pelos grossos e desajeitados sob o nariz, os quais deixaram seu rosto bastante desconfiável. Os vestidos que ela usava sempre estavam por ser passados a ferro. E seus tamancos eram tão chulezentos, que nem o cachorro se deitava perto de noite.
Nesta  mesma Picada Cabeção existia a família Hérlich, a qual era muito metódica. Para o Frido Hérlich levar os ovos até o armazém, sempre a Alma, sua esposa, os empacotava bem para não quebrá-los na viagem. Sempre era um balainho invejável: cheio de papel e no meio dele os ovos amarelos de suas galinhas.
Então um dia o Frido cavalgou até o armazém num sábado à tarde para trocar seus ovos por açúcar e sal. Quando ele chegou no armazém, descarregou seu balaio cheio de ovos e os levou para dentro. Margerita, a esposa mal-humorada do bodegueiro, novamente de mal com a vida como sempre, levantou o pano do balaio, analisou os ovos, então ela disse braba:
- Os ovos que você trouxe hoje Frido, são muito pequenos para comercializar!
Ele respondeu:
- Sua megera! Se eu os tivesse posto com certeza seriam maiores, mas se você os tivesse posto, então com certeza estariam azedos.