São Sebastião do Caí, Rio Grande do Sul, Brazil

terça-feira, 3 de junho de 2014

Tese para tradução digital do Hunsrickisch




   Fuçando na net descubro um trabalho linguístico sobre tradução automática na Universidade de São Paulo USP, onde Marcelo Himoro e Maria Nunes se baseiam no meu jeito de escrever o alemão Hunsrickisch em relação ao português e dali tirarem o método de tradução. Sinto muito orgulho que, depois de mais de 20 anos fazendo colunas em alemão Hunsrickisch em jornais locais e em meu blog, finalmente o reconhecimento acadêmico pela minha luta solitária.

   Neste link, na íntegra o texto explicativo:
 
http://www.nilc.icmc.usp.br/nilc/download/NILC-TR-13-06.pdf




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Paródia em alemão Hunsrickisch do Piradinha



Paródia do Piradinha em alemão Hunsrickisch.
     Maurício Pflugseger

Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
gans amarelinie.
Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
fa di gans familie.

Es kann net sen
di tuhn net leie
komm ich in de chtall ren
Pickke se an main tseie.
Ich sen ima am fiile
in dem loch.
Fon lauda drin rom chteche
Is main finga ab gebroch.
Iets fittre ich millie,
sockke un dricke se tóoh un nacht
wenn se net leie
un dan werre se geschlacht.

Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
gans amarelinie.
Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
fa di gans familie.

Main hoof is foll
fon lauda glucke
un wenn ma dan en ói will
oiê dan kann ma suche.
Iets kóof' ich millie
un fittre noch so fill wi gesta.
Hait sen ich frii gang
un gucke in di nesta.
Komm ich in de chtall ren
un faschrecke was do is
di ganse hinkle hon de hinnre sich farres.

Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
gans amarelinie.
Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
fa di gans familie.

Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
gans amarelinie.
Pi piri, piri, pi piri pibi komm ess millie
wall dan lêest du óia 
fa di gans familie.

TRADUÇÃO:

Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
bem amarelinhos.
Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
para toda a família.

Não pode ser
elas não estão pondo (ovos).
Entro no galinheiro
elas picam meus dedos.
Estou sempre 
conferindo no buraco
de tanto remexer lá dentro
o meu dedo quebrou.
Agora eu as alimento com milho,
as tapeio e aperto dia e noite
Se elas não botarem (ovos)
serão todas carneadas.

Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
bem amarelinhos.
Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
para toda a família.

Meu pátio está cheio
de galinhas poedeiras
Mas se eu quero um ovo
Nossa, tenho que procurar.
Agora eu compro milho
e alimento (elas) tanto quanto ontem.
Hoje fui lá cedo
e as olhei sobre seus ninhos.
Entro no galinheiro
e me surpreendo com o que está ali:
todas as galinhas tem o traseiro rasgado.

Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
bem amarelinhos.
Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
para toda a família.
Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
bem amarelinhos.
Pi piri, piri, pi piri galinha choca vem comer milho
porque então porás ovos
para toda a família.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Entrevista com Ozias Alves Jr, jornalista e apaixonado pelo Hunsrickisch

   
Jornalista Ozias Deodato Alves Jr


    Ainda bem que existem países no mundo que investem em línguas minoritárias, este bem precioso que muitos não valorizam, bancando edições e tiragem de livros sobre o assunto. Aqui no Brasil temos diversas línguas que são transmitidas de geração em geração, das quais sequer o governo tem conhecimento, muito menos interesse em preservar. Mas atitudes como esta, do jornalista Ozias Alves Jr. fazem a gente acreditar que ainda há uma chance de nossa língua não desaparecer. Veja  a entrevista:


    Aqui o belo e inteligente comentário feito pela professora Ligia Fleury:

O que acontece?                         
                                                                                                               Lígia Fleury
Nossa Educação é mesmo um mistério, para não dizer um insulto aos que nela acreditam, que dela fazem seu meio de vida, que nela colocam seus sonhos, que por meio dela realizam seus projetos de vida.
Estava pensando em todos os brasileiros que precisam estudar fora do Brasil para conhecer outra língua, aprimorar a cultura geral e vivenciar o que denominamos pluralismo cultural.
É infinitamente menor o número de alunos que procuram o Brasil para um intercâmbio do que o número de brasileiros que saem em busca de uma aprendizagem mais efetiva. Simplesmente porque no Brasil a Educação não tem espaço. Não há uma mobilização política que se preocupe em incentivar e aprimorar o nível de conhecimento da população. Ora, se sou de outro país e busco ampliar minha cultura, claro que optarei por algum lugar que me possibilite novos conhecimentos, novas redes sociais, novas aprendizagens. E o Brasil não sabe fazer Educação de qualidade. Essa é a realidade!
Prova disso é o que ocorreu recentemente, quando Ozías Alves Junior, editor do Jornal Biguaçu e São José em Foco, SC, lançou seu segundo livro no exterior. Ele é brasileiro, um estudioso linguístico que domina não só a estrutura do francês, tupi, alemão, inglês e quem sabe outras línguas, como conhece a história da colonização europeia no Brasil, assim como a origem de muitas cidades brasileiras, com sua herança cultural e as adaptações da população.
Ozías publicou dois livros no exterior; o primeiro, “ Parlons Nheengatu”, lançado em 2010, sobre o idioma tupi moderno hoje falado no Amazonas e o segundo, “Parlons Hunsrückisch”, um estudo sobre o dialeto alemão hunsrück, falado tanto na comarca de Biguaçu (SC) como também no norte do Rio Grande do Sul.
No Brasil, além de não haver interesse da própria escola em debater sobre a formação linguística e a questão cultural que a envolve, há a enorme dificuldade para o autor publicar seus conhecimentos, já que as editoras não subsidiam o trabalho. No exterior, as editoras costumam cobrir essas despesas, o que facilita a disseminação cultural.
Como fazer nossos alunos lerem se não há incentivo para os autores escreverem? Nossos autores precisam publicar no exterior seus trabalhos e continuam sem reconhecimento na própria língua materna? Até quando?
Essa é apenas uma das pontes que temos que atravessar para diminuir a  distância entre o Brasil e o mundo : a ponte da valorização cultural!  Ozías está tentando. Parabéns pelo seu sucesso no exterior e que ele seja apenas o começo do muito que precisa ser feito no nosso Brasil.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Historinha em alemão: Di Kníksiche - Os Pão-duros

Ouça esta história gravada aqui: Hea das graveadne chtek do hia:

DI KNÍKSICHE

In ieda pletsa un iwa alla tsaite hot es kníksiche lait gieb. Das is en ekstra rass, wo sain aichne welt grind. Wea di fon iaus sied, kan es glaich merke das di gans ánischta sin, un fa alles hon se ánischtare ausgangen als uns gewehnliche chterwa.
Ene kníksiche, fa sain áigendunge fawehre, kimt ima fadreht raus. Als, tsum baischpill, wen ea will etwas altes fakóofe, dan bringt ea so en geschpreech ab:
- Wéeste, di hand neh-maschin is me wi hunnad ioa alt un hot chon haufen wais tsait geneht. Si wód chon main ua wowo gewehs, un mit dieses machin hot si sain khenna sain tsaich geneht, sain med sain haus-chtaias lumpen geneht un de engelcha sain windelcha all gemacht.
Dan freht de kóofa:
- Ia, wass soll di machin dan koste?
- Wód mo bissie! - Seht de kníksiche. - Mea komme chon an de praiss. Awa de eascht will ich noch bissie iwa di machin chpreche...
Un so geht es geschpreech waita. De kníksiche fédemt alles ronna was sain wowo mit de neh-machin ab gebrun hot. De kóofa, chon halwa impacient muss alles heere, obwohl es em net so órich gefellt. Awa, das ganse geschicht fon de machin ronna wickle is en taktic fon em kníksiche fa se fill fawehre un so ene hohe praiss foa chlón. Noch debai, wall ea de kóofa unngedultig list, pakt ea es gescheft fiks tsu chlón, ohne fill gescheftle oda de praiss ronna iudde.
  De kníksiche, iwa em fumm in de hand riwle, tsiet tief oochtum un seht mit en chweia hets:
- Main muta! ...Si hot di machin fill benutst! Oie, wenn ma es ganse tsaich baisamma chaffe ted wo main muta mit denna geneht hot, kennt ma en geschefts haus uf mache.
- Sicha? Freht unnglaubich de kóofa. - Dan mus di machin awa fill ausgelaiat sin!
De kníksiche wód di frage am wóde fa saine letste bess giebe. Dan seera:
- Kanst di machin gans ausnanna mache, do is nics abgelaiat. Es is fon em beste material, daitsche material, si geht noch hunnad ioa.
Dan, wet es gescheft tsu geschlón, un di alt ausgelaiatne machin wet iwa faweat fakóoft. De kníksich hot sich fon en alt ding ab gelíwat un hot noch gut driwa fadient.
Di kníksiche bringe fon allem fertig. In Linie Bonit hot es ene gieb, de Paul, de wód ausasich kniksich. Ea wód de tip wo ima hat sain plen fertig fa etwas me fadine als nohre es sollt sin.
So, ene gute tóh is ea bai de dokta in Kappesbérich fa ene blohs problem consultire. Ea hat mechtich mohls nedich de tóh se urinire. Ea wód chrô blohs-loss.
Baim dokta, hot ea dan saine problem gesód, de dokta hot ea unasuucht, un wall ea kene problem am Paul raus gefun hot, horra ene urin exóme faschrib.
Main, wi chlimm sowas! Ene exóme kost ima gelt. Ea hat gement de dokta ted ihnem nohre phó pille mostra-gratis gewe un dan weat saine problem fasaimt. Awa, wall ea dan de exóme foa geschrib grid hat, is ea dan de exóme mache.
Das is am andere tóh passiad. De Paul is in de laboratório komm mit en grohs flasch foll pipi. Di lait hon ea so saitlich beôbacht un in em laboratório sód di laboratorist ea het net gebraucht so ene haufe material bringe. Ea sód do:
- Es is ene haufe material fa net braiche tswaifle fa de resultod giebe.
Noch ene tóh, de Paul hot de exóme gried un is direkt bai de dokta ea tsaiche. De dokta hot de resultód gekukt, do sóra:
- De exóme is gut ab gelóf. Do is kene problem tsum foa chain kom. So, gewe ich dea nore phó chtergungs pille mostra-gratis fa di blohs faschtergre. Das wet dich héele.
De kníksiche Paul is tsufride hémm. Ea hat net fa nics de urin exóme gemacht.
Wira hémm kom is, do rufta di Berta, sain fró, un sód:
- Fró, mea sin en glicklich familie. De urin exóme hut kene problem getsaicht. So sin ich, du, unsa khenna es pitche un es Lurdiche, di wowo ana un de hunt Rex gans gesunt, kene hot dreck in em urin. Es wód wunder maine plón di haufe urine misturire So hon mea en haufe exóme geschpód.

TRADUÇÃO:

OS PÃO-DUROS

Em todos os lugares e em todos os tempos existiram pão-duros. Isto é uma raça especial, que cria seu próprio mundo. Que os enxerga de fora, logo nota que são diferentes e para tudo tem saídas diferentes do que para nós simples mortais.
Um pão-duro, para valorizar suas coisas, sempre sai atravessado. Como por exemplo, quando ele quer vender algo, então ele trás uma conversa assim:
- Sabe, a máquina de costura de mão tem mais de cem anos e já costurou uma enormidade de roupas. Ela já pertencia a minha bisavó e com esta máquina ela costurou a roupa de seus filhos, os panos dos enxovais de suas filhas e fez todas as fraldas de seus netos.
Então o comprador pergunta:
- Então, quanto deve custar esta máquina?
- Espera um pouco! - Diz o pão-duro. - Já chegaremos no preço. Mas primeiro quero falar mais um pouco sobre a máquina...
E assim a conversa continua. O pão-duro desfia todas as coisas que sua avó fez com aquela máquina de costura. O comprador, já meio impaciente, precisa ouvir tudo, mesmo que isto não lhe agrade. Mas, toda a história desenrolada sobre a máquina é uma tática para o pão-duro a sobrevalorizar e assim propor um preço alto. Ainda junto, por ele deixar o comprador impaciente, consegue fechar rápido o negócio, sem muito negociar ou abaixar o preço.
O pão-duro, enquanto desmancha o fumo na mão, respira fundo e diz com o coração partido:
- Minha mãe! ...Ela usou muito esta máquina! Poxa, se a gente juntasse toda a roupa que minha mãe costurou nesta máquina, poder-se-ia abrir uma loja de roupas.
- Sério? - Pergunta o incrédulo comprador. - Mas então esta máquina deve estar bastante gasta!
O pão-duro estava esperando esta pergunta para dar sua última mordida. Então ele diz:
- Pode desmontar a máquina, não tem nada desgastado nela. É de material da melhor qualidade, material alemão, vai durar ainda cem anos.
Então o negócio é fechado e a velha e desgastada máquina é negociada e supervalorizada vendida. O pão-duro se livrou de uma velharia e ainda lucrou em cima.
Os pão-duros aprontam de tudo. Em Linha Bonita existiu um, de nome Paulo, que era por demais pão-duro. Ele era do tipo que sempre tinha sua imaginação pronta para faturar mais do que o valor real.
Então, um belo dia ele foi ao médico em Salvador do Sul para consultar um problema que ele tinha na bexiga. Ele tinha a necessidade frequente de urinar. Estava de bexiga solta. No médico, narrou seu problema, o médico o examinou, e por ele não constatar nenhum problema ao examinar o Paulo, prescreveu-lhe um exame de urina.
Nossa, isto era cruel! Um exame sempre custa dinheiro. Ele achou que o doutor iria lhe receitar alguns comprimidos de amostra-grátis e seu problema estaria resolvido. Mas, como ele recebeu o pedido do exame ele foi fazê-lo.
Isto aconteceu no dia seguinte. O Paulo entrou no laboratório com uma garrafa enorme, cheia de pipi. As pessoas olhavam meio de lado para ele e no laboratório a atendente lhe disse que não precisava ter trazido tanto material. Ele então disse:
- É uma quantidade grande de material para não precisar ficar na dúvida na hora de fazer o diagnóstico.
Mais um dia, o Paulo recebeu o exame e foi direto no médico mostrá-lo. O médico analisou o resultado, então disse:
- O resultado do exame saiu bem. Não apareceu nenhum problema. Assim vou te receitar alguns comprimidos fortificantes de amostra-grátis para fortificar tua bexiga. Isto vai te curar.
O pão-duro do Paulo foi satisfeito para casa. Ele não tinha feito à toa o exame de urina.
Quando chegou em casa, ele chamou a Berta sua esposa, e disse:
- Mulher, somos uma família feliz. O exame de urina não mostrou nenhum problema. Assim eu, tu, nossos filhos o Pedrinho e a Lurdinha, a vó Ana e o cachorro Rex estamos saudáveis, não tem nada na nossa urina. Foi uma boa ideia juntar todas estas urinas. Assim poupamos um monte de exames.